terça-feira, 4 de maio de 2010



Eu estava sentada em minha cama, olhando para o teto e tentando não deixar as lágrimas que embaçavam meu olhar caírem. Estava tentando pensar em alguma música que não me lembrassem você para eu cantar enquanto tudo acontecia. Estava pensando em te escrever alguma coisa, em escrever o que eu estava sentindo naquele momento. E então, o inevitável aconteceu. Meu olhar baixou, e uma lágrima, aquela insistente lágrima caiu, molhando minha face e me fazendo sentir o gosto salgado da tristeza.
E então surgiu em minha mente uma música. Não apenas uma música, mas a nossa música. E então um texto começou a ser formado em minha cabeça. Esse texto que escrevo agora. Esse texto tão triste que só pode ser escrito pela mais infeliz das criaturas, que é como eu me sinto agora. Depois da lágrima, meu olhar também caiu, e parou em você. Te olhei, com a porta do meu quarto aberta, parado e se encostando no batente, e percebi que você também chorava. Menos que eu, bem menos, mas chorava. Quase podia ouvir suas lágrimas escorrendo pelo seu rosto. Quase podia senti-las no meu rosto também.
Então você virou. Virou e me olhou. Vi suas lágrimas. E isso apertou ainda mais o meu coração. Não gosto de ver você chorando, nunca gostei. Mas você chorava. E meu impulso foi levantar da cama, te abraçar e dizer que tudo ia ficar bem. Mas me controlei. Me controlei quando percebi que você voltava. Voltava e vinha em minha direção. Seu rosto emanava tristeza e implorava perdão.
Não me mexi. Fiquei intacta onde me encontrava. Fiquei parada esperando sua reação, como se fosse me ajudar. Só aumentou minha aflição e nervosismo. Você sentou do meu lado, com a cabeça baixa e as lágrimas que insistiam em cair do seu olhar. Disse que se arrependia. Você me olhou, eu vi as lágrimas em seus olhos e não consegui mais me controlar. Te abracei tão forte! Queria te colocar dentro de mim pra você nunca mais sair. Sabia que isso era impossível, mas eu queria. E você me apertou. Me apertou contra o seu corpo como se quisesse a mesma coisa que eu, e então eu entendi.
Entendi que aquilo não tinha mais como continuar. Que era a hora de tomar uma decisão. Eu tinha duas opções. Te aceitar de volta e viver com a dúvida da fidelidade ou acabar pela milésima vez e ter que viver sem você, sem seu cheiro, seu sorriso, seus olhos, seus lábios e seus abraços. Te soltei um pouco e logo selei meus lábios nos seus. Não sei de onde eu tirei coragem para fazer isso, mas eu acho que eu precisava te sentir pela última vez. Ou pela primeira de novo. Te beijei como nunca havia beijado você antes. Esse beijo tinha um gosto diferente. Era salgado pelas nossas lágrimas que agora rolavam juntas, era amargo pela despedida que eu sabia que iria se seguir. Mas também era doce pelos sentimentos que emanavam dele, era doce pelo amor que ele carregava. E então eu parei. Parei de te beijar, parei de sentir seus lábios e suas mãos no meu rosto. Foi nesse momento que eu disse o que nunca achei que diria. Eu disse pra você ir embora. E você foi. Você levantou, foi até a porta, olhou mais uma vez para trás e eu pude ver seus lábios se mexendo e formando aquelas três palavras que seriam as últimas ditas diretamente para mim. Eu te amo, e se foi. Para nunca mais voltar a viver dentro de mim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário