Estrelas. Corpos celestes que habitam o céu à noite ao mesmo tempo em que vivem no imaginário fantasioso de adolescentes apaixonados. Pra mim, estrelas são muito mais do que isso. Estrelas são felicidade, são sentimento, são paixão, amor, ódio, indiferença, compaixão. Uma estrela no céu, por mínima que seja, pra mim, traz consigo todos esses significados misturados e fundidos em um só. Em um corpo só, em um brilho só.
Quando eu olhava para o céu, via felicidade, via amor, paixão. Elas brilhavam muito mais do que hoje, brilhavam um brilho que nada poderia apagar. Nada. Hoje em dia, dou sorte quando uma aparece no céu. E, se ela aparece, eu enxergo tristeza, dor, sofrimento, crescimento e amor. Todos esses sentimentos juntos em um brilho, em uma estrela, em um corpo, em um coração. A vida é assim, por mais que eu não queira aceitar, as coisas terminam porque tem que terminar, porque são insuficientes por si próprias. Precisariam de mais alguma coisa para ser eternas. Hoje eu entendo que quando nós dizíamos o tão famoso ‘pra sempre’, tínhamos consciência de que um dia iria acabar. Nossa situação era complicada, complexa e difícil. Conseguimos nos salvar de alguns invernos. Juntos. E hoje, o inverno é frio e triste, com as árvores sem flores e frutos, cobertas de neve branca que me lembra o brilho das estrelas, tão branco quanto.
Hoje, evito olhar o céu. Na verdade, hoje eu até consigo olhar sem derramar lágrimas. Não que elas não apareçam. Aparecem e muito. Meu olhar fica embaçado, não consigo enxergar as estrelas direito devido a isso. Mas não caem. Não que eu não queira, elas não querem. O que é bom pra mim, de certa forma. Chorar não iria te trazer de volta. Assim como escrever o que eu escrevo não vai. Mas as estrelas continuam lá, se eu quiser olhar para elas e sonhar com nós dois. Nada vai te trazer de volta, nem chorar, nem escrever. Mas as estrelas me transportam para mais perto de você. Como se eu quase pudesse te tocar. Como se eu quase pudesse te ver na minha frente, implorando pelo meu amor. As estrelas são as minhas companheiras na solidão. As sinto tão solitárias quanto eu. Num mundo cheio de coisas ruins, as estrelas são o meu porto-seguro, pois me lembram de invernos em que nada de ruim ocorria, nada de mal me acontecia, nada podia me afetar. As estrelas continuam lá, para quem quiser olhar, para quem quiser sonhar, quem quiser lembrar, quem quiser amar.
sábado, 1 de maio de 2010
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