sexta-feira, 30 de abril de 2010


Eu sorri. Sorri durante um tempo, não se sabe ao certo quanto tempo. Sorri o sorriso mais feliz que alguém já sorriu. Sorri o sorriso completo e perfeito. Sorri o sorriso que combinava com o seu. Sorri aquele sorriso que você adora, aquele sorriso que só você sabe dizer o quão bonito é. Sorri o meu sorriso, tão particular e único.
Mas também sorri o seu sorriso, aquele que eu te dei em uma época distante de hoje, aquele sorriso que só você possuía. Sorri aquele sorriso que só sorria pra você. Sorrisos são tão passageiros quanto um trem que para em algumas estações, mas nunca fica. Sorrisos são quebráveis, corrompíveis e compráveis. Mas não o meu. Ou o seu, entenda como quiser. O sorriso que eu sorria era tão meu quanto seu. Na verdade, era mais seu do que meu. Sorria pra você, não pra mim. Sorria pra você elogiar, pra você dizer o quanto era bonito e o quanto você gostava. Nunca sorri pra mim. Nunca gostei do meu sorriso. Mas você gostava, você sempre gostou, sempre me disse o quanto eu deveria me orgulhar de sorrir.
Eu sorria o sorriso mais feliz, agora eu sorrio um sorriso triste. Por um fato simples. Eu não sorrio mais pra você, por você. Sorrio para a rua, para as estrelas ou para as gotas de chuva que insistem em cair no verão. Sorrio para os carros e para os objetos inanimados. Sorrio para tudo e todos, menos para o dono do meu sorriso. Sorrio vulgarmente, ridicularizando o sorriso que é tão seu. Fazendo do nosso sorriso um sorriso de deboche, me odiando por não sorrir pra você. Eu sorri pra você. Agora sorrio por você.